segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

MORRE MAIS UM GRANDE ARTISTA POPULAR... VALDEMAR DOS PÁSSAROS.

FOTO: T C M, MATÉRIA, FIM DA LINHA!!!


Valdemar dos Pássaros morreu aos 87 anos (Foto TCM HD)

O artista e um dos homens folclóricos de Mossoró, Valdemar Gomes da Silva, conhecido por "Valdemar dos Pássaros, 87 anos, foi encontrado morto em cima da cama no quarto da casa onde morava na comunidade de Vertentes, zona rural de Baraúna. na manhã de hoje, segunda feira 22 de janeiro de 2018. 


Valdemar dos pássaros, ganhou notoriedade em Mossoró e porque não dizer no Brasil a partir de participação em programas de Televisão, como Silvio Santos (SBT) e Domingão do Faustão (TV GLOBO), imitando pássaros. 

ultimamente Valdemar dos Pássaros, morava com uma família na Comunidade rural de Vertentes, no município de Baraúna, a 16 Km de Mossoró. 

Segundo informações Valdemar teve morte natural. O corpo está sendo velado na comunidade onde morava e será enterrado ás 16: Hs de hoje na cidade de Baraúna/RN.

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O CAPITÃO LAMPIÃO VAI CHEGAR!

Por José Mendes Pereira

O lugarejo todo já tinha sido informado que o sanguinário e perverso Virgolino Ferreira da Silva o capitão Lampião estava para chegar. O cangaceiro não tinha dó de ninguém, e cada indivíduo, tomasse um lugarzinho para se proteger dos absurdos que ele praticava. Intimidava o sujeito só com um grito. Enfiava seu punhal com mais de 80 centímetros pela clavícula do marcado para morrer, rasgando todo o intestino, e atirava sem escolher quem, só para ver a queda do infeliz.

O vigário da pequena capela do vilarejo celebrava a missa, mas não temia a sua chegada, porque Lampião não batia e nem matava padre. O seu medo, era que, além de bater nos fiéis da igrejinha, ele poderia levar todo o dinheiro que arrecadara no momento da missa.

O dono de uma pequeninha lanchonete precisava se ausentar do seu comércio, e ao sair, disse ao seu empregado:

- Eu tenho que resolver algumas coisas na feira, e talvez eu não volte mais hoje. Se você ouvir falar que o capitão Lampião está no lugarejo, dê por encerrado o movimento de fregueses. Cuida logo de baixar as portas, e não se demore, faça fiapo em busca de casa. O capitão Lampião não tem nem um tico de dó de ninguém, e o melhor mesmo é prevenir, para não passar por vexames. O que a gente sabe o que ele faz por aí, não evitará de fazer também aqui no nosso vilarejo.

- Sim senhor! - Respondeu o empregado.

Mas assim que o dono da lanchonete saiu, infelizmente, chegou pelas laterais da lanchonete um homenzarrão usando chapéu de couro, um facão, uma espingarda e um enorme bornal. O suposto cangaceiro parecia o "king Kong", barbudo, braços grossos, de voz assustadora. Chegara montando numa égua brava. Mas ela parecia temê-lo, e ficou quietinha em seu lugar. Nem precisou ser amarrada. E foi aquela correria. Mulheres, meninos, e até os homens estavam nervosos.

E alguém que já corria pelas avenidas com medo, desesperadamente, gritava:

- Pelo amor de Deus, gente, corra que o capitão Lampião já está no nosso vilarejo! E traz nas mãos, um facão, uma espingarda e um enorme bornal cheio de balas.

Um velho sapateiro que cochilava em uma espreguiçadeira de frente à rua, ao ver o suposto capitão Lampião, ficou morrendo de medo, e ao se levantar, caiu lá embaixo da calçada. E assim que ficou em pé, tentou correr, mas caiu desmaiado.

Um comerciante ambulante que vendia miudezas em uma bicicleta, ao correr, perdeu todas suas bugigangas, restando-lhe apenas em seu poder, a bicicleta, que logo cuidou de montar, e, rapidamente, mesmo desajeitado, entrou de mata adentro pedalando.

Os homens do vilarejo não esperaram por nada, e não quiseram saber nem um pouco do capitão Lampião, entraram de mata adentro.

O dono de um barzinho de pinga, no alvoroço, querendo se salvar das enormes mãos do cangaceiro, enrolou-se a uma cadeira ginga-ginga, e foi ao chão. E ao levantar a vista, viu o valentão entrando com seus passos longos e desajeitados, e foi logo de encontro a ele, gritando com um assustador vozeirão:

- Me dá uma cachaça aí logo, sua peste!

E lá se veio o homem correndo com a garrafa de cachaça nas mãos. Caso demorasse a servi-lo, poderia pagar caso para ele.

O capitão Lampião não esperou que o empregado abrisse a garrafa. Arrebatou-a das suas mãos, quebrou o gargalho sobre o balcão, e bebeu tudo de uma vez só, nem ligou para pedaços de vidro.

O comerciante já havia dito a Deus que iria devolver o seu espírito, pois diante daquele homenzarrão, já sabia qual seria o seu caminho.

- O senhor quer outra! - perguntou o empregado procurando agradá-lo, já se desmanchando em urina e outras coisas estranhas.

- Não, peste! A que eu tomei já é o suficiente! – Dizia ele com a cara de mal.

O cangaceiro saiu do bar, cuspiu fortemente, pigarreou, pôs uma enorme marca de fumo na boca, sempre observando o espaço prum lado e pro outro, montou-se na sua égua brava, e antes de sair, o comerciante perguntou-lhe:

- O senhor é Virgolino Ferreira da Silva o capitão Lampião?

- Por que sua peste me pergunta isto?

- É porque nos jornais de hoje publicaram que o capitão Lampião já entrou no lugarejo, e com certeza, irá decepar muitas cabeças de quem é morador daqui. Peste ruim, ele não deixa um vivo, degola todos! E vem com uma grande quantidade de marginais...

- O que me diz? - perguntou ele com espanto.

- Sim senhor...!

- Eu quero lá saber do capitão Lampião! Deus me livre eu encontrar com aquela peste! Deus me livre!

E sem mais demora o suposto capitão Lampião esporeou a sua égua, e saiu rapidamente do lugarejo, com medo do capitão Lampião. Ao sair do bar, esqueceu de levar o bornal. Verificado o que carregava dentro dele, estava cheio de rolinhas, avoantes, asas-brancas, preás, Inhambus, papagaios,...

O homenzarrão era apenas um veterano caçador, e não fazia mal a ninguém, só tinha tamanho e avantajado corpo. Medroso ao extremo.

Minhas simples histórias

Se você não gostou da minha historinha não diga a ninguém, deixa-me pegar outro. 

ALERTA AO LEITOR E LEITORA!

Quando estiver no trânsito, cuidado, não discuta! Se errar, peça desculpas. Se o outro errou, não deixa ele te pedir desculpas, desculpa-o antes, porque faz com que o erro seja compreendido por ambas as partes, e não perca o seu controle emocional, você poderá ser vítima. As pessoas quando estão em automóveis pensam que são as verdadeiras donas do mundo. Cuidado! Lembre-se de pedir desculpas se errar no trânsito, para não deixar que as pessoas coloquem o seu corpo em um caixão. Você pode não conduzir arma, mas o outro, poderá ter uma maldita matadora, e ele poderá não perdoa a sua ignorância.

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domingo, 21 de janeiro de 2018

OS AMORES DO CANGACEIRO

*Rangel Alves da Costa

A história e os livros comprovam a sedução causada pelos cangaceiros perante as meninas e mocinhas sertanejas. Envoltos em adornos e enfeites, lastreados de dourados e prateados, reluzindo nos embornais, nas cartucheiras, nos dedos e nas cabeleiras, os artistas das caatingas faziam pulsar corações e mentes. Sem falar na pele jambeada, tingida de sol e curtida no suor da luta, sempre exalando desmedido perfume. Fragrâncias tão fortes quanto o próprio homem.

Juriti era um verdadeiro galã. Luiz Pedro, com seu porte altaneiro e sua cabeleira, parecia saído de uma película hollywoodiana. Alguns, além dos dourados e reluzências, das vestes encobertas de vaidades, até usavam óculos escuros de sol. Que se imagine a tempestade que provocavam ao surgirem nas fazendas e taperas ou adentrarem nos arruados e povoações! Um espanto a tantos, mas também um indescritível fascínio aos virgens e despreparados corações femininos.

Os pais de família tudo faziam para evitar que as atrações e seduções cangaceiras levassem de sua casa sua menina ou sua mocinha. Muitos fugiam levando suas crias, muitos as escondiam debaixo das camas. Muitos não tinham, perante o calor da hora, o que realmente fazer. Então os encantamentos, as paixões repentinamente surgidas. E depois os retornos para buscar as prometidas ao mundo cangaceiro. Assim aconteceu, por exemplo, com Sila. Canário disse que retornaria para buscá-la e assim aconteceu.

Contudo, o homem cangaceiro nem sempre precisou utilizar sua estética - roupas, adornos e enfeites - para atrair corações. Sua força sedutora estava em outras qualidades, que não a da beleza ou do porte, mas necessariamente pela sua própria feição humana, incluindo-se, logicamente, atributos como o caráter, a honradez e a cordialidade. Assim aconteceu com José Francisco de Nascimento, o Cajazeira no bando de Lampião, que após a morte de sua companheira e também cangaceira Enedina, revelou-se num amante inveterado.

Ainda muito moço, José Francisco, ou ainda Zé de Julião (pois filho de Seu Julião e Dona Constância), enamorou-se pela bela sertaneja de nome Enedina, de larga e honrada linhagem familiar em Poço Redondo, sertão sergipano. Do namoro ao casamento foi um pulo, como se diz pelas bandas de meu sertão. Contudo, o jovem Zé de Julião, atiçado pela consciência crítica da excludente, brutal e injusta realidade social que o circundava, um dia resolveu dar a mão à sua amada e com ela tomarem os destinos catingueiros, aos braços do cangaço.

Ressalte-se que o pai do depois afamado Cajazeira, Seu Julião do Nascimento, era um dos mais ricos daquela povoação sertaneja, dono de muitas terras e rebanhos. Mas a cada chegada das forças civis ou policiais (volantes), logo o temor tomava conta de todos. Muitas eram as extorsões, os maus-tratos, as barbáries cometidas. Sob pretexto de caçar cangaceiro, o esbulho e o aviltamento praticado era contra o mundo sertanejo. E uma das maiores vítimas era Seu Julião. E foi isto que tanta revolta causou àquele espírito jovem e já cheio de rebeldia.

Pois bem. Zé de Julião e Enedina deram-se as mãos e foram ao encontro do bando de Lampião. Aceitos, deste mundo fizeram parte até a Chacina de Angico de 38, ali mesmo em Poço Redondo, na Gruta do Angico, nas proximidades das beiradas do Velho Chico. Em vexame, em situação de fuga desesperada, eis que um tiro acertou a cabeça de Enedina que os miolos espargiram pelo ar. A esposa de Cajazeira jazia morta e este, sem nada poder fazer, apenas em fuga daquele terrível cerco. De Angico voltou viúvo.

Enviuvado no Angico, mas não sozinho por muito tempo. Após a fuga do massacre, homiziou-se no município alagoano de Jirau do Ponciano, nas Alagoas (numa fazenda de José Onias de Carvalho, renomado político de Propriá, em Sergipe) onde conheceu uma mocinha chamada Nelice, cujo namoro resultou em casamento e o nascimento do filho Inácio. Em constante fuga, arribou para a Bahia e deixou a esposa e o filho na casa de seus sogros. Da Bahia retornou às terras sergipanas e no seu Poço Redondo se enamorou da irmã de sua falecida Enedina, de nome Estela Maria do Nascimento, com quem também casou no civil, tendo o casal ido morar no Rio de Janeiro. Desta união mais o nascimento de muitos filhos. Somente retornou a Poço Redondo, sozinho, após, a morte de seu pai. Daí em diante se dividiu entre o sertão e Nova Iguaçu, até decidir retornar de vez para levar adiante seu grande plano: ser prefeito de seu berço de nascimento. 

Após enveredar na vida política e ser candidato a prefeito por duas vezes (episódios estes que merecem relatos à parte), e as incansáveis perseguições provocadas pelo chamado “Roubo das Urnas”, o ex-cangaceiro procurou esconderijo na região de Serra Negra, sob a proteção do Coronel João Maria de Carvalho. E lá mais uma vez se enamorou de uma jovem chamada Djair, com quem manteve união conjugal e teve prole. Não obstante isso, Zé de Julião ainda conviveu com uma moça de Poço Redondo chamada Rita, com quem teve vários filhos, dentre os quais Anita, Neném e Elício. E também relacionamento amoroso com Julieta Gomes dos Santos (conhecida como Êta, da região poço-redondense do Jacaré e Salobinho). Com esta teve dois filhos: Venúcio e Alaíde.

Como visto, o coração do ex-cangaceiro foi amante por natureza. Em Zé de Julião sempre a chama acesa das paixões, dos relacionamentos afetivos, dos convívios amorosos. Enedina, Nelice, Estela, Djair, Rita, Julieta, e talvez mais. Ou talvez muito mais.



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terça-feira, 16 de janeiro de 2018

XXII ENCONTRO DOS PROFETAS DA CHUVA EM QUIXADÁ - CE




Cruz. Dia 13, os Profetas da Chuva estiveram reunidos em Quixadá, Terra dos Monólitos, do Açude Cedro, da Pedra da Galinha Choca e de Raquel de Queiroz, para realização do XXII Encontro dos Profetas da Chuva, quando são apresentadas as profecias populares para a quadra invernosa de 2018.
O encontro aconteceu no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará – IFCE – Quixadá e contou com a participação de 23 profetas.

 Este evento é uma promoção da Associação dos Filhos e Amigos de Quixadá e do Instituto de Violas e Poesia do Sertão Central e está na vigésima segunda edição. XII Encanta Quixadá – Festival de Cantoria 2018. Segundo os profetas, são experiências que passam de geração em geração, quando os filhos deram continuidade as realizações de experiências que aprenderam com seus ancestrais e procuraram preservar esta tradição observando os astros, o clima, as plantas, animais e outros fenômenos naturais que, segundo a tradição popular, são indicativos da intensidade das chuvas que irão ocorrer na região durante o período de inverno.
Os Profetas fizeram a abertura do evento com um momento de oração e silêncio em homenagem aos Profetas que participavam do evento e já faleceram.
 Durante todo o evento, houve momentos culturais com a participação dos cantores de Quixadá, dentre eles o cantor Valter Ramalho, a menina sanfoneira Deisielle do Município de Ocara e repentistas.
O Profeta Chico Leite (Francisco dos Santos), 79, natural de Quixadá, começou a fazer suas experiências aos seis anos de idade, obserando os relâmpagos, a barra da passagem do ano, a direção dos ventos, o brilho do Sol, as pedras de sal, em treze de dezembro, e o pôr do Sol por trás de uma torre em 18 de outubro. Afirma que teremos um ano melhor que os anteriores, com início das chuvas em janeiro e vai até o mês de junho, pois, a luz do Sol com pouco brilho é um bom sinal. 
 
O Profeta Titico Baio (Francisco Acelino do Rego) é da Comunidade de São Miguel em Quixeramobim e tem suas experiências focadas em datas observando o clima de uma hora da madrugada até meia noite, nos dias 7, 17 e 20 de setembro; 08, 18 e 28 de outubro. As observações feitas nestas datas prenunciam as chuvas correspondentes aos meses de janeiro, fevereiro, março, abril, maio e junho, do ano de 2018. Prever pouca chuva e muito sol para o período de 15 de fevereiro a 15 de março. Para a segunda quinzena de março, até o mês de junho, prever boas chuvas e açudes armazenando bastante água. Já o Profeta Erasmo Barreira, de Quixadá, disse que participa do encontro há 09 anos e tem sido bastante assertiva as suas profecias que se baseia nas abelhas, formigas de roça, árvores e nos Ventos do Aracati, do dia 21 de outubro, quando faz um fogo para observar a direção dos ventos, que quando fica mudando de direção (embaralhado) não é bom sinal. Acredita em um bom inverno, segundo as suas observações, a partir de 20 de fevereiro. O Profeta Renato apresentou a experiência da Garrafa com água na fogueira e indicou bom inverno.
Renato Lino de Souza, Natural de Quixadá, concentra suas observações nas plantas da Caatinga e nas aves e cupins. Ele acredita em um bom inverno e mostrando um pedaço de galho da catingueira, descreve as características que são sinais de um bom inverno. Segundo sua experiência, quando a catingueira apresenta a casca lisa e limpa é sinal de bom inverno.
José Airton Araújo, de Quixadá, prever uma quadra invernosa igual a do ano passado. O pesquisador Luiz Gonzaga, de Camocim, que se baseia nas imagens de satélite, só prever chuva mais intensa a partir do final do mês de fevereiro. O Profeta Dedé Rufino, do Município de Madalena, prever pouca chuva para os meses de janeiro e fevereiro. Ele diz que só ver chuvas mais intensas para o mês de março. O Profeta Odontólogo Paulo Costa fez previsão de um bom inverno e anunciou um período de dez anos sem seca e citou o período de 1959 a 1969, quando os planetas Júpiter e Vênus encontram-se alinhados, fenômeno que se repetiu para aproxima década, e encerrou suas profecias declamando a Poesia da Umbelina. A Profetisa Lurdinha, 80, filha de profeta, prever bom inverno a partir de 08 de março. Usa as experiências das pedras de sal e barra do Natal. Aconselha que os agricultores aproveitem as primeiras chuvas.