terça-feira, 21 de novembro de 2017

O CHAPÉU QUEBRADO DO CANGACEIRO..!

Por Voltaseca Volta

Muito se tem discutido sobre a origem do chapéu do cangaceiro.


Para alguns, o seu design teria sido originado da influência do chapéu do imperador francês Napoleão Bonaparte (vide foto, acima). Para outros, seria criação dos próprios cangaceiros. Não existe uma pesquisa profunda sobre o respectivo assunto. Pessoalmente, entendo, que o CHAPÉU CANGACEIRO DE ABAS LARGAS teve como inspiração, o chapéu do VAQUEIRO NORDESTINO. 


Após alguns anos no cangaço, sobretudo na fase baiana (que se iniciou em agosto/1928, com a passagem de Lampião cruzando o Rio São Francisco), O CHAPÉU passou a ser mais estilizado, com a inserção de moedas de ouro/prata na testeira e, na aba e, muitos enfeites no barbicacho, além de símbolos de proteção, como a variação da estrela de 6 e oito pontas. 

A entrada das mulheres no cangaço, sobretudo das cangaceiras DADÁ (companheira de Corisco) e, de SILA (de Zé Sereno), que eram excelentes costureiras, além do próprio Lampião que era um grande artesão em couro, deram uma nova estética às suas roupas / chapéus /cartucheiras..etc...

FOTOS:

Acima, fotos dos vaqueiros do major Quinca Leonel / Belmonte-PE, que já no início do sec. XX, usavam o chapéu de aba larga. (Foto: Valdir Nogueira);

Foto de Lampião com seu chapéu bastante ornamentado e, do imperador Napoleão Bonaparte (pescadas no Google).

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sábado, 18 de novembro de 2017

UMA RARIDADE PRA ENRIQUECER MINHA BIBLIOTECA!


Nos anos noventa, em pesquisas nos sebos de São Paulo, encontrei a primeira edição do livro Lampião Rei do Cangaço, do escritor Eduardo Barbosa, lançado em 1958. Naquele dia, fiquei só na vontade mesmo, pois , tratando-se de uma edição rara, o vendedor pediu um preço bem elevado na época, se não me engano, foi a quantia de 250,00. Depois de todos esses anos, consegui encontrar a mesma edição de 1958, desta vez, por um preço bem acessível. E hoje ele está aqui na minha modesta biblioteca do cangaço!

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sábado, 11 de novembro de 2017

LIVRO "LAMPIÃO A RAPOSA DAS CAATINGAS"


Lampião iniciou sua vida de cangaceiro por motivos de vingança, mas com o tempo se tornou um cangaceiro profissional – raposa matreira que durante quase vinte anos, por méritos próprios ou por incompetência dos governos, percorreu as veredas poeirentas das caatingas do Nordeste, ludibriando caçadores de sete Estados. 

(71)9240-6736 - 9938-7760 - 8603-6799 

Pedidos via internet:
Mastrângelo (Mazinho), baseado em Aracaju:
Tel.:  (79)9878-5445 - (79)8814-8345
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sexta-feira, 10 de novembro de 2017

8º ENCONTRO INTERCONTINENTAL SOBRE A NATUREZA ENCERRA COM A LEITURA DA CARTA DE FORTALEZA O2017


Encerrou, nesta quarta-feira, 08, no Centro de Eventos do Ceará, na Capital Alencarina, o 8º Encontro Intercontinental Sobre a Natureza – o2017. O evento durou quatro dias e contou com a presença de grandes autoridades. Líderes e especialistas em água.
Dia 05, foi realizado o plantio, em mutirão, de mudas de árvores nativas na área de preservação ambiental do Rio Cocó, na cidade de Fortaleza, para compensação de carbono 02.
Vários cursos foram realizados: Introdução a Construção Sustentável; Reuso de Água para Fins Potáveis; Regulação dos Serviços Públicos – Teoria e Prática; Águas Soterrâneas como Alternativa à Segurança Hídrica, (ministrado pelo Professor Doutor Itabaraci N. Cavalcante) e Águas Envazadas: Fontes, Equipamentos, Custos e Consumo Humano.
Além destes cursos, foram realizados: Fórum, Conferência Magna com o Tema: Governança da Água e Segurança Hídrica para os Usos Múltiplos, Palestras, Mesa Redonda, Fórum de Líderes Nacionais e Internacionais.
O Encontro Intercontinental encerrou com a leitura da Carta de Fortaleza O20217.
O Comitê de Bacia Hidrográfica do Acaraú esteve presente através de seus membros Engenheiro Agrônomo Antonio dos Santos de Oliveira Lima (Dr. Lima) da FAC e Raimundo Irismar da Cagece – Sobral.
                   
Paralelo ao evento, houve distribuição de mudas, exposição de artesanatos e as jovens Flaviana e Leidiane, que estavam com um stand do DNOCS, fizeram doações de livros que contam a trajetória dos 100 anos do DNOCS.
Carta de Fortaleza 02017 – “Cientistas, estudiosos, governantes, usuários e simpatizantes das questões ambientais, preocupados mais especificamente com os caminhos para segurança hídrica e bem estar da sociedade em um  futuro próximo estiverem reunidos em Fortaleza, do Estado do Ceará, por ocasião do Encontro Intercontinental Sobre a Natureza o2017 - 8ª Edição, para discutir o estado da arte e soluções inovadoras para apresentar a sociedade com resultados conclusivos, por meios de cursos de capacitação.  Palestras, mesas redondas, apresentação de casos exitosos e conferencias. Fórum de líderes. Foram discutidos temas técnicos diversos focados na transversalidade do tema do evento: Governança da Água e Segurança Hídrica para usos Múltiplos. .... Abordou a temática da responsabilidade da segurança hídrica”.



Dr. Lima

OBRA DO ARTISTA PLÁSTICO EDUARDO LIMA

Por Eduardo Lima

Para quem não me conhece sou Eduardo Lima. 

Sou artista plástico e moro em Barreiras, no Estado da Bahia. 

Costumo retratar o cangaço de forma peculiar.

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terça-feira, 7 de novembro de 2017

ZÉ PEDRO: CANGACEIRO DE PARADOXOS

Por Joel Reis

A numerosa família Pedro habitava um quarteirão inteiro da Rua da Conceição, em Juazeiro do Norte – CE. Constituída por Mané Pedro, Chico Pedro, Antônio Pedro, João Pedro, Joaquim Pedro, outros Pedro e Zé Pedro; o mais velho dos irmãos e chefe da família. Eram homens do trabalho, uma família de lavradores de mandioca no chapadão do Araripe, mercadores de cereais das feiras do Cariri, artífices carpinteiros, sapateiros, ferreiros... Viviam com certa prosperidade em terras que para viver é preciso ter coragem.

A família Pedro não era de levar desaforo para casa. Mesmo no modo de vida pacato que levavam os Pedro mostravam coragem a cada passo, depressa se habituaram à luta. 

Zé Pedro, ora carrancudo, ora alegre e risonho, possuía muita força vital, corpulento, estatura alta, cabeça chata, cabelos encarapinhados, face, boca, dentes e orelhas regulares, aliás, não tinha nenhum outro estigma físico aparente de degenerescência. Usava chapéu de couro grande e quebrado na testa, um rifle, um revólver, um punhal, duas cartucheiras e um saco de bala. Apesar da valentia era um cangaceiro de atitudes nobres, não tomava dinheiro à força, não matava por perversidade, não desonrava e não incendiava. Um cangaceiro destemido, que só brigava, ou quando provocado ou por questões políticas. Não tinha preocupação nem vaidade.

Em 23 de janeiro de 1914, Zé Pedro liderou mais de 40 homens, entre eles seus irmãos, no ataque ao Crato – CE. Insultaram a tropa de guarnição da cidade, para fazê-la gastar munição, mas não se contentaram. Zé Pedro tomou a trincheira do Barro Vermelho, a do Fundo da Maca e a da Praça do Rosário, arrebentou as grades da cadeia do Crato e restituiu a liberdade ao famoso Zé Pinheiro. Em vinte horas de fogo tomou a cidade. Assim, a Revolução de Juazeiro do Norte sagrou-se vitoriosa. 

Certo dia, Zé Pedro em uma bodega a beber, alguns soldados o quiseram prender. Raimundão um soldado valente e desordeiro, foi quem lhe deu a clássica voz de prisão: “esteje preso”. Antes não o fizera porque certamente, pela primeira vez, sua cabeça sofreu a consequência da sua ousadia, do seu atrevimento de querer prender o mais valente dos Pedro. Uma forte bofetada estalou-lhe tão pesada no ouvido, que Raimundão baqueou, pesadamente, no solo. Fechou o tempo. Cerca de quinze soldados eram presentes. Naquele momento, a única arma de Zé Pedro era um punhal de três palmos. Era quanto bastava. Como, porém, não era perverso, preferiu apenas abrir alas... Com o punhal traçou uma circunferência, colocou-se de pé no centro dela e bradou: 

- Ô macaco! (é assim que os cangaceiros chamam os soldados) Quem pôr o pé neste risco, morre... (e morria mesmo).

Os soldados tinham plena certeza disso. Assim, acharam melhor dar por findo o incidente e continuar a beber com Zé Pedro. Com um cangaceiro valente, não procede de outra forma a polícia dos Sertões.

Outro fato se deu na chapada do Araripe, local onde havia uma grande plantação de mandioca, e os criadores de Pernambuco acharam que deviam fazer solta de seu gado na lavoura dos romeiros do Padre Cícero, os desbravadores e cultivadores daquela serra. O governo de Pernambuco, diante da reação dos romeiros, mandou para aquela serra uma força de polícia para garantir o gado dos criadores do seu Estado, na destruição da lavoura dos agricultores do Cariri.

Zé Pedro e seu amigo inseparável Mané Chiquinha foram ao encontro da tropa. E no fogo da Taboca, do embate dos dois com o exército pernambucano, resultou sair ferido um porco, o qual, morrendo depois. O oficial comandante se apressou em indenizar o respectivo dono! De certo, para Recife, a história foi contada de modo a realçar a correção do oficial comandante da tropa que enfrentou dois cangaceiros e matou um porco! Tem sido dessa ordem as providências dos governos do Norte, na repressão ao banditismo.

Zé Pedro bem que podia ter chamado a serra Zé Pinheiro e seus homens que estavam garantindo o gado na destruição da lavoura dos pobres. Teria assim feito diminuir, um pouco, a calamidade da seca de 1915, prestando mais um grande serviço ao Estado, mas não quis chamar. Os ousados camaradas inseparáveis, Zé Pedro e Mané Chiquinha habituados às grandes caminhadas iam pela mata densa da chã, até chegar à vereda estreita por onde os soldados eram forçados a passar. Escondidos em cima de uma árvore, um deles atira, de repente, o estrondo causa pânico e o terror assola a soldadesca que correu pelos matagais da chapada.

Mesmo diante do perigo, Zé Pedro zombava de tudo, nada temia. Depois, vitorioso, admirado por todos, não se gabava de seus feitos, não reclamava glória para si e muito menos se mostrava superior a nenhum companheiro. Havia homens assim naquele meio e não tinha como saber exatamente os motivos que os tornaram cangaceiros. Não são criminosos natos, não fazem profissão do crime, nem mesmo têm instintos perversos. 

Zé Pedro era um desses, nas ocasiões em que lhe ofereciam dinheiro para matar alguém, não aceitava; ou às vezes aceitava, mas não matava. Em tom de brincadeira, contava depois a história ao que devera assassinar, sem, contudo, dizer quem fora o mandante. Quando pediam para atear fogo em uma propriedade, não executava tal pedido e ainda avisava o proprietário que se precavesse.

Segundo Antônio Xavier de Oliveira (1920) houve cangaceiros assim, que não eram tão maus como se pensa e se diz. Como Zé Pedro alguns eram honestos, valentes e nobres, pois, piedade para eles. Em vez de bala e cadeia, um livro e uma escola.

REFERÊNCIA

XAVIER, A. de Oliveira. Beatos e Cangaceiros. Rio de Janeiro: [s.n.], 1920.
NOTAS
*José Pedro se destacou como chefe de grupo na revolução do Juazeiro de Norte – CE, em 1914. O bando de José Pedro era formado por irmãos e amigos, os Pedro, atuou em torno da chapada do Araripe nos primeiros anos do século XX, até ser assassinado pela polícia do Crato – CE, em maio de 1924.
* A foto de Zé Pedro também aparece nas seguintes obras:
FACÓ, Rui. Cangaceiros e fanáticos. 3ª ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1972. (A foto de Zé Pedro aparece na p. 14, mas apenas na versão impressa, a versão em PDF que está disponível na internet não possui fotos).
MELLO, Frederico Pernambucano de. Guerreiros do Sol: violência e banditismo no nordeste do Brasil. 5 ed. São Paulo: A Girafa. 2011. (A foto de Zé Pedro aparece na p. 399, mas com apenas uma legenda simples na p. 398).
OLIVEIRA, Aglae Lima de. Lampião Cangaço e Nordeste. Rio de Janeiro: Edições O cruzeiro, 1970. (A foto de Zé Pedro aparece na p. 37 com apenas a legenda “Zé Pedro, Fanático do Crato”).
XAVIER, A. de Oliveira. Beatos e Cangaceiros. Rio de Janeiro: [s.n.], 1920. (A foto de Zé Pedro aparece na p. 86).
P.S. O único livro que encontrei falando sobre o tema supracitado foi o “Beatos e Cangaceiros (1920)” de Antônio Xavier de Oliveira que nasceu em Juazeiro do Norte (CE).

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